domingo, 22 de agosto de 2010

(des)prazer em conhecê-los


O horário político brasileiro começou, e com ele a maior perda de tempo da história política brasileira. Mostram-se candidatos esdrúxulos com pseudônimos mais ridículos ainda e uns pedem e outros querem (de maneira imperativa mesmo) uma das únicas coisas que nos tornam iguais no Brasil: o voto! Mas estamos aqui para tratar de outro fato que irá se tornar corriqueiro nos horários televisivos, no rádio, Internet, ou qualquer meio de comunicação que dê para eles, nossos magníficos candidatos, mostrarem o quanto são idôneos: os debates e entrevistas.

A entrevista do Jornal Nacional foi um bom exemplo para conhecemos mais um pouco sobre a Dilma, o Serra e a Marina. Principais candidatos a moradores do Palácio da Alvorada.

Dilma Rousseff foi a primeira, não sei se levaram em consideração a frase “primeiro as damas”, mas o que deu para perceber é que a Dilma fisicamente está mais simpática do que na época da ditadura, acontecimento ao qual ela regozija-se de ter sofrido para que hoje goze de um discurso ufanista carregado de amor à pátria. Willian Boner e Fátima Bernardes, ou seja, a Globo, não levou nada disso em consideração, e de todos os candidatos a presidência da república, nas entrevistas globais, ela foi a mais massacrada, por perguntas que colocavam em prova sua preparação para ser presidenta, seu histórico político, sua forma durona de ser e a preocupação dos apresentadores do Jornal Nacional de que ela não seria para os ministros a editora-chefe da Vogue. Mas os apresentadores sentiram-se inquisidores quanto entrou em cena as alianças, se bem que a Dilma tratou de ter aliança com todas as maiores escórias da política, de Collor à família Sarney, passando por Jader Barbalhos, etc. A partir daí, Dilma perdeu a pose, os sorrisos robóticos também, o casal nacional cresceu e apagou a Dilma, que só aparecia como mera coadjuvante do Lula. Aliás, toda a entrevista fez com que Rousseff parecesse uma pífia sombra do Luis Inácio Lula da Silva.

O próximo foi o candidato José Serra, Serra, ou Zé, como por último quer adotar para parecer mais simpático do que o personagem dos Simpsons Mr. Burns que ele realmente é muito parecido. No inicio ele foi muito bem, utilizou de eufemismos, não falou mal do Lula, claro, não é idiota. Foi direto, respondeu bem as perguntas, mas realmente não cativou, toda a entrevista foi mais conduzida por ele do que pelo senhor e senhora Smith. No entanto, ressalto, a entrevista foi sem sal, o Zé demonstrava apenas uma base sólida de sua campanha: a saúde. Esta palavra foi o que ele discursou com maior intimidade, algo inédito para quem mesmo beijando velhos fedorentos e crianças catarrentas ainda nos parece tão distante e gélido.

A surpresa foi a Marina Silva, candidata que menos tem alianças, parcerias, que menos se compromete com as oligarquias, digo, partidos políticos, mas que ainda perde por estar ligada fortemente ao âmbito ambiental, tornando-se sombra dele, assim como a Dilma está para o Lula, segundo a Rede Globo. No entanto, o material que dá sombra a Dilma é altamente popular, e a da Marina, que seria a Amazônia, está em alta, mas, sobretudo, para os gringos e o James Cameron. Se a Rousseff se perdeu, se o Serra controlou, Marina dominou a entrevista, que alias, dos três ela foi a melhor. Mostrou ter jogo de cintura, comprometimento com que fala, e falou mais do que o casal nacional. Falou de sua saída do PT, por não se sentir apoiada. Lavou muito bem as mãos quanto a questão do “mensalão”. O lado ruim, foi que os apresentadores queriam colocá-la sempre como coadjuvante do PT, e para falar a verdade nem me lembro do partido que ela realmente pertence.

A entrevista no JN foi levada de diversas maneiras para cada um dos entrevistá-los.
E mesmo tento que suportá-los até outubro, com entrevistas, fotográficas simpáticas, carinhos aos populares, choros republicanos, atos nacionalistas, discursos retóricos patrióticos e cafés-da-manhã com o um futuro presidente, ainda assim, “nunca na história desse país” tivemos candidatos que não nos pertence, seja pela inexperiência, seja pelo elitismo, ou pelo âmbito ambiental mais aflorado. Eles nos parecem estranhos no ninho “de cobras”, “maracutaias”, roubalheiras e CPI’s. Essas primeiras entrevistas somente mostraram um pouco do mesmo, candidatos feitos de marketing e laquês baratos, jingles chatos e que até o final do ano, podemos ter o prazer ou desprazer de conhecê-los mais um pouco, porque até agora, não vimos o povo, nem um rosto.

By Pedro Muniz

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