
Todas as vezes que saio para dançar penso em me divertir, suar, zoar, realmente, não em beijar. Beijar não irá deixar minha noite mais plena. Só irei trocar saliva com uma boca, grande ou pequena.
É incrível você ficar na "balada" olhando pessoas desesperadas para beijarem e de tão malucas para encontrar alguém para dividir sua solidão, dão-lhe a boca como premio de consolação.
"Não me achei no lixo", digo para meus amigos sempre, sem demagogia, não ficarei sem desejo, não beijarei sem vontade. Fico na vontade de beijar para saber o que é realmente meu desejo.
O ficar estragou o olhar, a paquera, a responsabilidade do e com o outro. Não se beija mais a pessoa, beija-se o corpo. A ficada é sumária. E eu odeio o efêmero.
São tantas bocas anônimas na noite, andando pelas ruas atrás de outro beijo, de outra boca anônima para trocar carícias. Mas são bocas anônimas que podem passar horas e horas em atividade, no entanto, ainda vivem anônimas e sozinhas.
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